Participantes – Matheus Graboski e Larissa Elsa Bedin.
...esperei por este final de semana sacro santo por meses, acompanhando dia-a-dia quando o tão sonhado filme que entraria em cartaz no cinema. Porém, este dia não chegava e para mim era um martírio... até que sem mais delongas, o tão sonhado espetáculo aconteceria domingo dia 15/04, quando eu e Larissa nos encaminhamos até o Shópén Patio Chapecó, a fim de assistir a apresentação ilustre de Titanic 3D com Jack e Rose.
Triste e acanhado em casa, envolto em uma pega pulga velha marrom, fétida e em processo de decomposição, que no inverno anterior servira como alento ao meu querido cão Pingo, estava eu soltando gases que eram parcialmente abafados pela minha cobertinha, chorando e arrotando assistindo o Celso Portiolli na maravilhosa entrega de casas as famílias menos favorecidas economicamente, quando de repente recebo uma ligação de Larissa Elsa para pedir o que faríamos no domingo a noite. Logo tratei de intimá-la a me dar carona e irmos ao cinema chapecoense assistir Titanic, na aclamada remasterizada e glorificada versão 3D.
De imediato coloquei para rodar meu DVD original do filme para relembrar a ordem das falas do filme, por que para quem sabe o maior fã do filme sou eu, gastei fitas e mais fitas de vídeo vendo o filme que era dividido em 2 partes, por ser longo demais. E logo depois que adquirimos um DVD parcelado em 10 vezes na rede TOKLAR, na época ainda comercial Eletromóveis, o Estevan me brindou com um DVD duplo e original, o qual assisti mais de 20 vezes chorando e engolindo os próprios ranhos, acompanhados é claro de suspiros trágicos de soluços de tristeza. Resumindo a história, eu sabia falas, cenas e tudo mais de olhos fechados.
Já eram 4 da tarde e logo tratei de compor o modelito fashion, tirei do guarda roupas nossas fantasias de Jack e Rose, pois claro iríamos caracterizados, tomei banho e coloquei meu traje de Jack, (Inclusive 2 pulseiras que imitavam as algemas que Jack adquire ao ser preso do filme) ... Logo dei o vestido e o sobre tudo que Rose usa no filme e um vestido lilás butterfly com uma fita mimosa na barriga para que Larissa vestise, porém, o vestido era muuuuuuuuuuuuuito grande, pois era do Estevan quando ele figurava as cenas de Titanic na ponta da área aqui em casa. Resumindo a história, tivemos que fazer uma barra improvisada que mamãe mesmo passou um overloque e depois costurou a mão, assim, ficamos lindos e partimos em direção a Chapecó. Até lá fomos ouvindo Celine Dion, eu chorando e soltando ranhos gastei um rolo de papel toalha e fiquei com os olhos tão inchados que mal podia enxergar.
Chegando no Shópén arrancamos olhares, e até demos autógrafos, desconhecidos queriam tirar fotos mas minha agência não liberou, nem conseguimos andar pelo Shopping pois estávamos causando frisson, e os flashs estavam prejudicando minha visão. Nem fila enfrentamos porque éramos celebridade, e logo fomos encaminhados pelos seguranças até o camarote vip na Sala 1 3D. Recebemos nossos óculos e lá aguardávamos de mãos dadas a espera do filme, cantávamos emocionados no IPOD a música tema, e o cinema o cinema começou a lotar, aquele cheiro de pipoca tomava conta. Eu já emocionado antes mesmo do filme começar, lembrava das cenas tristes que o filme iria me proporcionar, logo Larissa me alcança um Sorine que eu havia levado pois já sabia que meu nariz porcino iria trancar de tanto chorar, e claro, aquele cheiro provindo de nossos trajes velhos e carregados de naftalina foram atacando minha renite alérgica, o que só piorou meu estado de intermináveis fungadas.
Enfim, lá continuamos assistindo, e o balanço do navio 3D acabou me dando náuseas, fazendo eu ter minha primeira ânsia de vômito 3D, causada pelo suave balançar do navio em meio as ondas. Como consequência, acabei vomitando toda a pipoca que havia engolido inteira nos pés e no vestido plissado de Larissa, que acabou não levando em conta o desconforto causado pela situação, pois a emoção do filme e a sensação de estarmos dentro no navio eram mais forte que qualquer outro estímulo.
O filme rolou, e a cada cena eu levantava da poltrona para imitar os atores nas suas interpretações, pronunciava as frases antes dos atores e encenava com muito vigor cada passo de Jack e Rose, o pessoal do cinema acabou se revoltando e me jogando copos de coca-cola, piruás de pipoca e sacos de lixo, até uma prancha de cabelo e uma batedeira me atiraram na cabeça, frustrado e com um galo na cabeça, me acalmei e terminei de apreciar o resto do filme quieto e calado. Larissa como estava do meu lado, foi obrigada a ouvir minha narração de todas as falas, as quais eu tinha na ponta da língua. Ao fim do filme, já cansado e muito emocionado, olho para o lado e percebo Larissa em prantos de emoção, abracei-a e a acalmei com uma ladainha de orações que aprendi na novena do terço Bizantino. Assim, tudo ficou bom e o filme acabou...e nós, ao sairmos do cinema tínhamos seguranças de todos os lados a nossa plena disposição, para nos dirigir até o carro.
Autor: Matheus Casanova
Co-Autora: Marina Cavalli.
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