sábado, 28 de janeiro de 2012

14 Bis Chapecó + Festa na Chácara 02 21/01

Neste final de semana, mais especificamente na sexta feira, fui convocado a estar num camarote do 14 Bis Chapecó, que o grupo de costureiras da Linha Cattani ganhou no  concurso Costureira Overlock 2012, um concurso que seleciona promissores talentos dentro das proximidades da região oeste,  avaliando entre outros requisitos a velocidade dos movimentos, precisão da costura,  agilidade e desenvoltura das competidoras. Lipi por sua vez, tendo todas estas habilidades bem desenvolvidas e treinadas por sua mãe Tchoi, se saiu melhor que as demais candidatas e venceu o concurso com muita garra e suor, ele então nos convidou para participar da festividade e assim ganhamos a honra de usufruir de um camarote todo decorado com fiapos e retalhos de tecidos multicoloridos, tubetes de linha já usados, fitas mimosas e peças de máquinas de costura antigas dispostas de maneira harmoniosa compondo a decoração. 
Se fizeram presentes no evento apenas Gabriela Camilly Chiarello, Rafael Godinis, Luiz Felipe (Costureira vencedora) e eu Matheus Casanova. Lipi extremamente empolgado com a vitória sugeriu que ele mesmo confeccionasse nossas roupas, nós para não desagradá-lo concordamos de imediato, pois a bebedeira ia ser garantida e o camarote era grátis. Gabriela ganhou de Lipi um modelo exclusivo inspirado na coleção outono /inverno da Channel, estava com um vestido de couro caramelo (retirado e curtido pelo seu pai Chico), com mangas bufantes rebordadas com franjas de fitas mimosas amarelas, um sapato meia pata de madeira esculpido em puro carvalho e cravejado com pequenos fragmentos de pedras brilhosas (aquelas roxas) garimpadas diretamente das terras vermelhas do interior caxambuense, inspirado é claro nos famosos modelos de Louboutin. Eu escolhi meu modelito ainda no croqui, Lipi costurou para mim uma blusinha bem justa mula manca na cor rosa bebê e um colete de crochê cinza todo salpicado com pérolas, que realçou minha pele branca as curvas do meu corpo, e que combinei com os brincos e colar de pérola que peguei escondido da mamãe. Também escolhi uma saia vermelha a estilo CTG, mas como Lipi não teve tempo de confeccioná-la optei por uma bermuda azul marinho de gorgorão que adquiri semana passada na loja do Polaco, como ainda não havia usado acabei inaugurando-a no 14 bis.
Saimos direto até o 14 Bis, e eu o tempo todo me cuidando para não me encostar em locais empoeirados e sujar minha linda blusinha e meu colete. Porém, tivemos que passar na nova residência do Sr. Estevan, que se situa nos fundos do Eco parque em Chapecó. Subimos as escadarias velhas e empoeiradas e ao entrarmos na quitinete ouvimos um murmuro triste e pesaroso vindo de trás do guarda roupas. Fomos até lá e percebemos que Estevan estava imprensado atrás de um guarda roupas de madeira escura e envernizada, doado caridosamente da Casa as Cultura de Caxambu da ala pertencente as relíquias do Nono Dórico. Estevan com a boca arroxeada e quase sem conseguir inalar o ar murmurou que estava procurando um pé da sua sandália prata com verde que havia ficado embaixo do guarda roupas quando o Alencar Fretes fez sua mudança.  Estevan cada vez mais roxo e sussurrante não conseguiu pegar a sandália de maneira alguma e ficava cada vez mais soterrado pelo móvel. Tentamos achar outro calçado para ele ir conosco até as dependências da boate, mas nada servia naquele pé largo com unhas encravadas, tentamos um scarpin que ele havia pegado emprestado da amiga Idiane para ir a uma formatura, mas o mesmo não entrou devido a retenção de liquido, joanetes e inchaço de seus pés. Acabou que Estevan não pode ir por falta de calçados e Gabriela muito sinceramente exclamou que era mesmo para ele ficar em casa e logo tratou de dizer que a ele que passasse um paninho naquela quitinete suja e limpasse o banheiro. Estevan respondeu com agressividade nos despejando na rua e jogando água nas nossas vestes, ainda bem que o tal ataque não surtiu efeito, e apenas alguns respingos caíram sobre as pérolas de minha roupa.
Pegamos a Avenida Getúlio Vargas a pé,o cocheiro estacionou nossa carruagem algumas quadras para baixo e entramos no recinto sem enfrentar fila, pois tínhamos camarote...Gabriela logo tratou de colocar seus fartos seios a mostra fazendo toplez, o fotógrafo presente então fez um book de Gabriela no barzinho pegando bebidas e derramando sobre sua silhueta sensual. Subimos e pegamos o camarote que estava reservado a nossa total disposição,Lipi logo começou a reparar na vestimenta das moças presentes e atirar bebibas nas que possuíam as roupas mais bonitas, Rafinha Godinis logo pegou uma garrafa de absolut e bebeu com muito energético, eu Gabriela e Lipi tomamos muita cerveja, mas em nenhum momento me descuidei dos meus acessórios de pérolas, pois suspeitava que Lipi pudesse roubá-los por inveja.
Festa vai festa vem nada de mais acontecia, quando menos espero olho e percebo Marciane a Ceka e Monibel dançando loucamente até o chão. Ceka arrumou encrenca com uma moça por se insinuar para seu namorado,e sem pestanejar tira seu tamanco de acrílico salto 4 cm e atira-o com velocidade na testa da moça arrancando fluidos de sangue, após tal ato impulsivo ela com medo de represálias sai correndo em disparada num até o camarote a fim de esconder-se. Chamei as amigas e ficamos nos divertindo e jogando pedaços de tecidos nos cabelos das meninas que faziam parte do povão até a festa chegar ao fim. Nos dirigimos para casa por volta das 5 da manhã, e as 7 horas euainda tive que ir trabalhar, sai meio grogue de casa e com muito sono, ao fazer a travessia da ponte que separa a cidade do laticínio Milkreme a minha labirintite atacou, desesperado cambaleei até a beirada do rio e agarrado aos galhos da mata ciliar vomitei. Enfraquecido e sem conseguir me equilibrar fiquei de cócoras fazendo ânsia sem mais nada sair, a veia de meu pescoço começou a saltar e eu fiquei roxo, antes que eu caísse na água e fosse levado pela correnteza fui salvo por um ribeirinho que me acolheu e me levou até em casa, salvando-me da morte.

PARTE 02:A Festa na Chácara
Neste dia, eu minha fiel escudeira Rita Priscilla Linhares iniciamos os preparativos e aguardamos ansiosos pela tal festa que iria acontecer na chácara do Michel Angelo, a mesma da minha festa em dezembro, porém a festa estava morna, sombria e sem muitos comentários, os quais irei narrar posteriormente.
                Anterior a festa, pelo desespero de perder alguns quilos e já cansado de comprar ripas no Segatto para estruturar minha caminha frágil que sempre quebrava por meu excesso de peso,e cansado das tentativas falhas com a dieta da lua (só não como a lua porque não alcanço) ,ingeri um laxante para entrar na minha calça manequim 38! Não preciso nem contar oque aconteceu não é? Estava eu no sofá courado da mamãe quando soltei um flato silencioso, senti que ele parecia úmido mas não liguei, permaneci lá por um tempo e lembrei que deveria alimentar meu querido e cego cachorro Pingo. Ao realizar tal tarefa percebo que Pingo me seguia pelos arredores e lambia meus calcanhares, não entendi o porque e continuei andando, ao perceber a continuidade das investidas de Pingo paro e percebo que escorria pelos meus tornozelos um churume fétido com e cor e textura de melado batido.Pingo com o bigode imundo de fezes, não conseguiu dar conta da quantidade que escorria e não sendo páreo para tal tarefa, desistiu voltando estufado para sua casinha. Entrei em casa e as fezes liquefeitas escorreram pelo carpete, até hoje o carpete foi lavado mais de 15 vezes e a mãe não consegue tirar o cheiro fétido e nem o Pingo, que desde aquele dia mora em cima do carpete.
                Me arrumei, troquei as vestes e esperei, sem mais tardar percebo a chegadada charanga negra do Lipi, que vinha bem disposto e sentado sobre cinco almofadas bem recheadas com penas de peru das granjas Dittadi, a fim de alcançar os pedais da caminhonete, todas elas encapadas com bouclê( tecido com efeito fantasia de laçadas, resultando numa textura crespa, produzido com fio fantasia do mesmo nome, que é um fio retorcido onde aparecem laçadas e nós, resultando uma textura crespa, o nome origina-se da palavra francesa "boucler" que significa encaracolar) nas mais variadas cores confeccionadas pelo próprio Lipi. Entrei na charanga e logo tratamos de pegar a Rita e a Gina e irmos a festa.
Ao chegar no local presenciei coisas que meus olhos amendoados, grandes e brilhantes jamais irão esquecer...devido a grande estiagem que acometeu recentemente nossa região, o local estava em completo abandono, carcaças de animais mortos, vacas convalescentes dando seus últimos suspiros de vida arrodeadas por urubus esfomeados, açudes ressecados pelo cálido sol das tardes de verão, cactos sobreviventes que anteriormente serviam como ornamento nos jardins Gheller, agora serviam para nutrir a fome da população local. E a cena mais chocante de todas: a estampa do desespero humano diante da cruel e impiedosa força da natureza, Michel Angelo atordoado e abalado pela situação tentava reestabelecer o último sopro de vida que restava em sua cadela Elke, com um cantil de alumínio escovado dava de beber a sua querida amiga, molhava seus olhos apagados pela sombra da morte e com uma vara de cinamomo tocava enfurecidamente os urubus que a rodeavam de maneira fantasmagórica.
Veterinários de plantão foram chamados para auxiliar Michel Angelo e a festa começou, Gabriela ao dar o ar de sua graça tratou de fazer o seu famoso topless, logo fizemos uma rodinha de pessoas, Rita, Gina, Indianara,Lipi,Gabriela e eu Matheus. Alguns curiosos ficaram ao lado como estátuas nos observando, muita farra e cerveja e já eram 3 da matina e o pessoal estava adoidado. Tínhamos um pequeno freezer vermelho para armazenar bebibas, frezzero qual já um pouco alterada pela álcool, Gabriela não percebeua presença e tacou o pé dentro, relando toda sua canelinha gorda na borda do mesmo, quem conhece Gabinha sabe qual rumo tomou essa história, quantos gritos e litros de lágrimas ela deixou cair.
(Sinto Informar, mais oque aconteceu daqui a diante não vai ser postado, apenas ficou na memória dos presentes) Que por sinal foi demais!
Já eram 5 horas da manhã e já era hora de irmos para casa dormir, pois no dia seguinte havia confirmado presença no honroso almoço na casa da minha Querida Rita de Kácia, ao qual compareci bêbado marcando minha presença as 9 da manhã. Ao levantar da cama, percebo o Lipi já tinha chegado, estava fazendo uma trança no cabelo da mãe e ensinando ela a maquiar-se no estilo gospel mais adequado a moda atual.
Juntamos todo o pessoal e nos direcionamos até a propriedade do Sr. Coco Linhares, Rita que nos aguardava sorridente com um bolo recheado sobre os braços, nos recepcionou calorosamente. Lipilogo tratou de maquiar todas os presentes, eu fiquei pescando e Rafa Godinis ficou de boa. Almoçamos e descemos até o lago da barragem tomar uma gelada no nosso Iate que estava aportado na marina particular do Sr. Coco Linhares, andamos feito loucos e nos divertimos demais, Rita nadava nas águas turvas da barragem dando braçadas certeiras, realizando modalidades de nado costas, borboleta e sincronizado, e ainda fazendo chafarizes de água com a boca. Lipi, Gina e eu a acompanhamos, quando sem nada esperar olhamos para o horizonte e avistamos um lugar perfeitoesperando para ser desbravado...lugar o qual  decidimos onde decidimos de acampar, pois bem, o acampamento  sua continuação você vera no próximo post! Muito Obrigado a todos, continuem lendo e compartilhando!

Autor: Matheus Casanova
Co-Autora: Marina Cavalli

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