Ao final do último baile em Bela Vista fui lembrado que no próximo final de semana teríamos baile em São João, claro que logo tratei de convocar o pessoal para ir ao baile: Estevan Madonna Graboski Casanova, Luiz Phellype Dittadi, Nádia Margarete, Angelo Graboski, Gabriela Fausta Chiarello, Bruna Menoncim , Andreia Pasin, Idyanne Pizzi , Indianara Vazzoler, Rafa Godinis e eu, Matheus Casanova.
Já era sábado e inauguramos a programação na Rádio Alvorada, a qual foi um sucesso total, porém, como em todo e qualquer evento grandioso os imprevistos são invitáveis. No decorrer do programa Estevan só me ligava e me mandava sms’s desesperados a fim de saber onde estava guardada aquela escova confeccionada com crinas de égua naturais e cabo de madre pérolas, que deixa o cabelo com mais volume e brilho, e também onde estava o esmalte Carmen da Risqué e o alicate de tirar cutículas. Insultei-o ao vivo na Rádio, e disse que iria achar quando chegasse em casa. Trato feito, ao chegar em casa encontro Estevan aos prantos deitado na cama, com uma touca térmica hidratando seus novos cabelos lisos, estava também com papel higiênico trançado entre os dedos dos pés para não estragar a unha que Analice o ajudou fazer sem custo nenhum. Porém não conseguia compreender qual era o motivo que fazia Estevan estar em prantos...Desci até o porão e fui ver a roupa que ele ia usar a noite: era uma saia maravilhosa de renda chantilly, confeccionada em várias camadas na altura da metade das coxas, com um forração de cetim e de um branco tão alvo que chegava a doer os olhos, uma “ciganinha” bege com estampa de micro tulipas mostarda e um tamanco Grendene com sola de borracha multicolorido. Compreendi então o porquê do desespero de Estevan, as roupas adquiridas em um brechó não caberiam em seu corpo rotundo, a saia era manequim 38 e nunca entraria em um corpo que não fosse esquálido e em plena forma. Nem que Estevan fizesse a dieta da lua por um mês caberia no traje elegante, e então teria que arranjar outro figurino improvisado para sair à noite...enquanto ele pensava numa possibilidade de vestimenta, ouço uma batida envolvente em frente a casa, ao som de os Havaianos estaciona o carro a nossa fada Idiane, trajando uma bermuda jeans curtinha desfiada e um scarpim fabuloso de salto 12 cm, com tiras de veludo púrpura que subiam por seus tornozelos bem depilados e terminavam em um laço majestoso na parte traseira da perna. Acompanhando ela vinha Indianara, e então estipulamos o horário para irmos até a comunidade onde o baile aconteceria.
Já eram 21 horas e tínhamos que nos arrumar, Estevan ficou triste e amargurado porque a tal saia majestosa não entrava de jeito nenhum, então teve que pegar um vestido da mamãe da época em que estava grávida de mim, pesando dezenas de quilos a mais. Em um momento de distração de Estevan, pego o vestido e saio em disparada porta afora, na casa da vizinha Nina encontro uma máquina de costura em overloque e sem hesitar passo com empolgação nas laterais do vestido, deixando-o três manequins menor, mais que rapidamente volto e atiro-o sobre a cama de Estevan, que no momento saía do banho envolto em uma toalha da Barbie Rapunzel. Disfarçado e tomado por sentimentos maléficos peço a ele que prove o vestido, em êxtase ele tenta vesti-lo, mas o mesmo insiste em não entrar, já desesperado e sem mais alternativas, pega uma saia marrom de cotton de mamãe e veste-a sem o mínimo de satisfação, choramingando pelos cantos e sentindo-se uma bóia inflada ele senta no sofá e espera eu terminar de me produzir.
Fui para o banho e lá raspei a virilha, minhas nádegas peludas e as pernas também, tudo isso é claro, com a gilette mach 3 turbo de Estevan. Quando me dou conta, os pêlos já trancavam o ralo e a repartição do boxe já virara uma lagoa, então tive que pedir o rastel para a mãe, a fim de retirar aquela penugem do ralo e permitir que a água escoasse, pelos estes que todos emaranhados mais pareciam com pedaços de pelego de um borrego velho. Banho tomado fui me vestir, coloquei meu paletó pérola e uma calça jeans um pouco justa, deitei na cama para conseguir fechar o zíper e sem sucesso parto para minha cinta modeladora bege da loba adquirida na rede de supermercados Quitanda. Missão cumprida calço meu sapato caramelo doado pelo meu querido pai Genair e vou para o saguão principal da casa. Quando menos percebo entram pela porta da sala Idiane Pizzi, enformada dentro de um corpete dourado lindo com emendas de fita mimosa na parte das costas, uma micro saia de courino e seu tamanco de cereais, junto dela vinha Indianara, que vestia uma micro saia de paetês e uma mini blusa de sarja.
Nos despedimos da mamãe com beijos e abraços, deixando-a orando por nossas almas e saímos para resgatar o pessoal nas casas, eu e Rafa Godines que acabara de chegar, passamos pegar a Nádia e o Angelo e já nos dirigimos até a casa de Marina e Cássia onde Lipi e Gabriela se arrumavam para o baile, fazendo escova, tranças embutidas e maquiagem nos olhos. Entrei direto na casa e percebo que Lipi chorava de cócoras num cantinho entre o freezer e o fogão, ensopando um rolo de papel toalha. Imediatamente quis saber o que aconteceu e ele contou triste e desmotivado que a Cássia não quis fazer o cabelo dele e nem a maquiagem neon que a Gabi já tinha nos olhos.
Todos prontos saímos destinados até o bailão, estávamos divididos em 3 carros. Matheus, Nádia, Angelo e Rafa ... Idiane ,Estevan , Indianara , .... Luiz Felipe , Gabriela , Bruna e Andréia. O Nosso carro chegou primeiro na tão distante comunidade, Rafa quis colocar o carro no lugar mais alto e mais difícil de chegar, e nós claro dentro do veículo ainda. Nádia estava ansiosa para entrar na festança e a esta hora já havia queimando 13 cigarros em seus lábios carnudos realçados com gloss pêssego cintilante do Boticário. Estacionamos o carro e nos dirigimos ao baile, porém o terreno era íngreme e cheio de pedras soltas, e ao lado um pequeno e sombrio cemitério nos fazia companhia. Tudo bem até então e descíamos a tal ladeira cuidadosamente, quando um cara com um gol quadradinho branco força a subida e volta o carro em nossa direção, eu e Nádia em um rompante de susto nos jogamos na valeta e comemos terra de um formigueiro, eu esfolei a cara no pedregulho e tive meu sapato caramelo todo com a ponta esfolada, a camurça do colete de franjas de Nádia também sujou, mas não foi dessa vez que terminamos o baile, Nádia logo tratou de insultar o tal garoto responsável pela proeza: “Escuta aqui, se você tivesse queimado minhas pernas com esse carro você ia me indenizar, por que eu tenho advogado e nunca perdi um processo!!” ... o cara sumiu com seu o Gol e Nádia vira e me fala... Imagina...Hummmmmmmmmm.
Chegamos na frente do salão e uma fila enorme tomava conta da frente do recinto, eu claro como sou figurinha conhecida logo entrei pela ala das celebridades, e como tenho esse direito trouxe todos meus amigos comigo. Logo pegamos o camarote ao lado da cozinha onde o cheio de pastel e bistex predominava. Lá estávamos eu, Nádia, Angelo e Rafa. Logo compramos fichas para beber até amanhecer... aquele cheiro de fritura e aquela névoa que vinha do palco misturado com gases intestinais nos deixava loucos, Nádia chegou a guardar o óculos para não embaçar a visão. Estávamos nos divertindo quando entram na roda Angela PH e Thamiris, ambas com vestidinhos costurados ao corpo e curtíssimos, e Angela com sua comissão de frete bem realçada. Lá ficamos nos divertindo quando entra pela porta um grupo de pessoas, logo percebi quem era, pois Gabriela vinha como um carro abre-alas doado ela Portela no carnaval do ano passado, ela vinha majestosa no meio da multidão fazendo top lez e Idiane com seu espartilho justérrimo arrancava olhares fulmintes da alemoada que se fazia presente, muitos conhecidos e aqueles cabelos suados tomavam conta do local. Estevan com seu tamanco emborrachado foi fazer amizade com os músicos da banda, pedindo autógrafo e camisetas. A dança começou a tomar conta e Bruna e Andreia logo fizeram um trenzinho no meio do salão onde mais de 200 pessoas entraram na festa, Gabriela já olhava fixamente para os pasteis e o cachorro quente que eram preparados na cozinha ao lado.
Lá ficamos e a festa rolou, no decorrer dos 250,00 reais comprados em ficha a coisa foi enfeiando, Estevan fazia corações com as mãos para os músicos, Nádia se deitou na mesa de som que estava ao lado e em transe permaneceu observando o guitarrista da banda, dava longos ‘tchaus’ perdidos e o sujeito nem olhava para ela. Todos nesta hora já estavam bêbados, e eu até dancei coladinho com o Estevan, chamamos mais atenção que a banda que se posicionava ao lado, quando menos imaginávamos toca ao fundo o som de uma música boemia...” um fio de cabelo”, sem pestanejar olhamos direto para Idiane que fazia a tradução da musica em Libras, foi um momento mágico, lágrimas caíram do meu rosto e de todos que estavam pelos arredores, gerando um clima de comoção geral.
Baile rolando solto e uma morena linda estava ao lado num feroz beijo de língua com Lipy Dyttadhy , quando olho ao lado Gabriela me fazia um sinal de que o bico da teta da tal moça estava sobressaltando do espartilho preto que a mesma usava, eu não entendi de início mas logo olhei novamente e cutuquei com o dedo aquele farto seio que livre queria ser, ela não sentiu nada, então cutuquei mais 2 vezes e nada, sem me importar guardei o tal seio da moça dentro do espartilho em solidariedade a ela. Adoraria demonstrar como realizei tal ato mas aqui não há como, Gabriela que viu nunca mais esqueceu, foi hilário! O baile estava quase no fim e Gabriela já sentia fominha, logo foi a copa e comprou 83 pastéizinhos pra viagem , 8 garrafinhas de coca e 12 cachorros quentes, e ainda uma cuca royal para não passar fome na viagem de volta para casa, tudo isso ela armazenou na carroceria da charanga negra de Lipy, para não ter que dividir com ninguém.
Todos foram pegando seus rumos e no final do baile ficamos na frente de uma escada azarando: eu, Nádia, Estevan, Angelo e Rafa, logo tratei de pegar um cigarrinho do Estevan só para contar vantagem, quando percebo uma figura ilustre estava presente nas escadas e veio me cumprimentar, abracei calorosamente aquela tal moça e nisso Estevan começa uma gritaria afirmando que eu havia encostado o cigarro no cabelo na moça, o qual fumaceou e ergueu labaredas...nos despedimos e fomos para casa, todos travaaaaaaaaaaaados e cansados, ouvimos muita musica dos Anos 80 na volta e chegamos sãos e salvos graças a Deus.
Autor: Matheus Casanova
Co-Autora: Marina Cavalli
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